Sábado, 17 de Março de 2012

New romantic.

Simples assim.

Percebi que o tempo não cura tudo, aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas desloca o incurável do centro das atenções.

Porque o tempo deixa perguntas mas também mostra respostas, esclarece dúvidas. Acima de tudo, o tempo traz verdades. No fim desse tempo, apercebo-me que eu nunca desisti de nada, porque tenho essa coisa teimosa de ir até ao fim, de esgotar todas as possibilidades, pagar para ver. E pago mesmo, pago caro, e com juros. Quando finalmente completo o percurso, mesmo que tenha andado em círculos durante uma parte do caminho, completo-o sem remorsos, de cabeça erguida, como sempre.

E o que fica para trás... é amado, mas está acabado. O amor, como qualquer outro sentimento, não morre de repente: ele reclama bastante antes de falecer. Por uma razão que é importante, que eu já cansei de falar...
O amor é importante, porra.

Sexta-feira, 16 de Março de 2012

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Cansaço.

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas
Essas e o que falta nelas eternamente
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço. 



Álvaro de Campos

Terça-feira, 13 de Março de 2012

Incompleta ainda.

Pois é, darling. Todas estas coisas bonitas que eu vou guardando para te falar um dia, acumulam-se dentro de mim como poesia empoeirada, porque nunca são ditas, porque são sempre palavras inauditas e permanecem nessa condição estéril, até que um dia o vento da vida passe como um vendaval e desarrume tudo outra vez, toda esta pilha de pequenas vírgulas, sentimentos amontoados, lágrimas secas com a palma da mão, sal e tristeza misturando-se com as músicas todas que te dedico sem te dizer.

De todas as vezes que penso ou digo para mim mesma “basta, estou cansada disto…” refiro-me a uma variação sobre o mesmo tema; estou cansada de amar tanto e receber tão pouco. Não que o amor me canse, ou que tenha deixado de acreditar; pelo contrário, acho que é a força que move o Mundo, a energia mais poderosa que existe. A dor que é minha, que deriva destas paredes e cicatrizes que existem em mim, são culpa minha, eu deveria aceitar que o passado já passou e fez de mim quem eu sou agora.

Não sei bem como continuar e por vezes parece que vou tropeçando pelo caminho. Que me apresso aqui e acolá, que deixo uma mensagem aqui, um carinho ali, uma birra além. Mas tudo isso junto, todas essas pequenas partes de mim, só fazem sentido quando são vistas no seu total, eu compreendo como devem assemelhar-se a uma cacofonia histérica para quem vê só um pedaço de mim. Quase ninguém me vê por inteiro, eu sei. Não é por acaso. É que a vida já me doeu muito e eu fui aprendendo as lições (ou então não). Parece que sei a teoria toda, toda, toda… e que a práctica ainda assim me escapa, por teimosia pura e simples, por acreditar que um dia, um dia vai ser diferente!

Vou saltando de assunto em assunto, esperando que as palavras ganhem força, que o sentimento amadureça na folha em branco. É uma eterna luta, esta de passar as palavras na minha cabeça para a folha em branco que aguarda toda esta enchente de intuições e sentimentos. No fundo acho que ainda não encontrei aquilo que verdadeiramente tenho para dizer, mas entretanto vou ensaiando estes textos, que vão brilhando suavemente dentro de mim até que se escapam pelos olhos, pelos dedos, pelos poros, pela pele inteira, enfim.

Olho e vejo esta mistura intrincada de pequenos nadas que me compõem toda. Sou o infinito e todo o amor que nele está contido, existe em mim, em cada átomo. Sou amor, amigos, filmes e músicas, família, pátria, água e oceano, a lua e o sol e o entardecer melancólico. E ainda assim, incompleta.

Comecei por falar em ti, darling. Mas o pensamento de ti levou-me tão mais longe.

Pergunta

Sou só eu a viciada em Brooke Fraser?
:)

Exaltação

"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que se não sente bem onde está, que tem saudades... sei lá de quê!"


Florbela Espanca, "Correspondência" (1930).

Quinta-feira, 1 de Março de 2012

Parabéns!



E não é que a Tangerina faz hoje 3 anos ? :)

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

Inéditos e Dispersos


Ana Cristina César, in "Inéditos e Dispersos".

Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

Sabe?



O meu coração acelera quando aquela janelinha sobe no msn.


E morre um pouquinho quando fica offline, sem sequer dizer oi.

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Especial.


"Ao abrir o interior de uma mulher, meu rapaz, fique atento: se encontrar algo de esplêndido, admirável, ame-a. Caso isso for ôco, beleza exterior vira resto pra urubu. Lindo é o que uma mulher traz dentro de si, até as coisas mal feitas transbordam beleza. Lindo é o sorriso sincero que conta o dia de ontem... e sem querer ele entra em contato com os olhos revelando a sensualidade que nunca foi tocada. Lindo mesmo é a feiúra de uma mulher quando aceita por si mesma! É lindo! Beleza fisica amigos, é só por um tempo. Essa fotografia um dia vai ser inveja pros meus olhos, mas eu vou ter aqui dentro uma coisa tão grandiosa que meus olhos vão retornar à ser teus, porque eu não te guardo no rosto, mas no meu infinito interior".

Ludmila Andrade Falcão.

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Assim mesmo.

"Ontem tomei um táxi e me distraí tanto olhando pela janela que no meio do caminho estendi a mão para o banco vazio do lado querendo pegar tua mão. Tô com saudade."
Caio Fernando Abreu

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Page up, page down.

Será possível empurrar alguns sentimentos para um lugar onde eles possam ganhar pó ?

Vejo à minha volta acontecerem coisas que eu sei que eu deveria ter já atingido também; mas eu sei que na minha vida tudo sempre demora. Nunca vou ao mesmo ritmo dos outros... tenho o meu próprio caminhar, as minhas próprias estradas, quase sempre as menos percorridas. Que muitas vezes são cheias de sombras, muitas talvez criadas por mim mesma, mas com muita, muitíssima luz vinda também de mim e das minhas convicções.

O meu caminho está defronte a mim: construo-o eu, passo a passo.

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Antiguo y de lejos, amor.

Estás longe, eu sei, mesmo assim consigo ver o que estás a fazer. Queres desaparecer, tornar-te invisível, numa tentativa de que a dor também já não te encontre. Ouves a voz de mil pessoas, todas e cada uma fazendo eco na tua mente e no teu coração. Algumas, desejas ouvir mais do que as outras; mas ainda assim não renegas nenhuma, qual herói masoquista. Mas tu, meu cavaleiro sem bandeira nem dragão, percorres a terra e o mar sem achar respostas ao teu dilema, buscando o teu próprio Santo Graal.

Cai a noite, sai o Sol, cresce e empurra a Lua no céu, e tu permaneces encerrado em ti, renegando a dor mas sujeitando-te à dúvida, a pior madrasta na lista de todas as bruxas más. Encontras-te à beira da falésia, com uma parte para Norte e outra para Sul. Aqui, o teu caminho não é cíclico e tu sabes que se escolheres um deles, o outro ficará para trás, e não unirão as suas (de)terminações. Formam a tua própria Fita de Moebius, e os teus dedos calcorreiam o exterior e o interior simultaneamente, suaves e hesitantes, amedrontado por encontrar tanta resistência.

Eu sei, eu vejo tudo mesmo sem te ver. Não te olho, não escuto a tua voz, não encontro o humor do teu olhar; há muitos dias que não sei nada de ti, mesmo estando eu em permanente ligação à tua mente, pressionando-a como quem pede um desejo, clamando por atenção, pedindo que me deixes entrar, que o teu corpo abrigue o meu, que o teu coração envolva o conjunto de uma vida que já não sei viver separada de ti. Pergunto-me se me deixarias salvar-te, mas já sei a resposta: claro que não. E ainda bem que não. Quero que me queiras, não que te sintas apenas agradecido.

Escrevo-te estas cartas abertas, meu amor, sabendo que além de ti outras pessoas a poderão ler, e não me importo. Não me incomoda que olhem para dentro de mim. Incomoda-me mais que ninguém olhe para ninguém, que se fuja e se finjam emoções como quem mancha um quadro em perseguição do cenário perfeito, umas garatujas esborratadas que se assemelham a uma primária, bizarra, sarcástica imitação de arte.

Tu, porém, não finges. Se preciso for enganar, usas a verdade, manipulas a realidade e mostras apenas o que queres. Eu sei como és arguto, perspicaz, inteligente. Sei por experiência própria que ouves todas as palavras, excepto quando te fechas e ouves apenas a ti próprio, excluindo tudo e todos, até o som da voz de quem te ama. Entendo as tuas motivações, medos, traumas e alegrias. O sorriso que pede mimo, e o olhar que diz “basta”.

Eu vejo: afogas-te nos teus sonhos, quase ao ponto de te deixares quebrar. Carregas no teu coração mais mágoa do que seria normalmente possível, e condenas-te a ti próprio. E a pergunta regressa à minha mente, se deveria tentar mudar-te. A resposta também é óbvia. Claro que não. Gosto de tudo em ti, até dos teus defeitos, até da entrega total que dás aos teus objectivos. Não sei que meta procuras alcançar agora, tu que largaste a mão da alegria, tu que renegaste a paixão, tu que foste (per)feito para mim, meu maravilhoso perigo. Sei que se eu conseguir ultrapassar as lágrimas e as risadas, o que vou encontrar por baixo dessa capa que colocas em teu redor é o homem, humano, simples, herói, meu cavaleiro sem armas. 

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

Lição.



Aprende, menina. Quem não te procura, não sente a tua falta.

Aceita que algumas coisas acabam, e outras não acabam enquanto não as deixares partir de dentro de ti. E só quando fores capaz de aceitar estas verdades, terás paz suficiente dentro de ti para voltar a dar, a ti mesma, outra oportunidade.